Supercut: Tarantino e os pés no chão

Trabalhar na indústria do entretenimento, ou até mesmo com a forma mais pura – a arte – sempre permite que se coloque um pouco da nossa individualidade naquilo que vai para fora. No cinema, não é diferente: vários diretores têm predileções por certos ângulos de câmera, por determinado tipo de atores, fotografia, etc. E alguns por partes do corpo, como é o caso do Tarantino.

O fato é que o cara tem uma paixão por pés – femininos, mais especificamente. Quem não sabia, pode procurar à vontade pelo Google e vai encontrar material o suficiente para confirmar o que eu aqui escrevo.  Mais importante do que isso, entretanto, é a evidência que o cineasta deixa em suas obras, nas quais a câmera parece ser atraída para solas e arcos dos pés das personagens.

Esse é o tema do supercut feito pelo editor e diretor Pablo Maestres, que conseguiu reunir todos os momentos de podolatria (esse é o nome científico) que aparecem nos filmes do Tarantino. Eu, particularmente, adoro ângulos de câmera que focam no chão/pés, mas assistir a esse vídeo inteiro me deu a impressão de estar vendo Muppets – quando os adultos entravam em cena e só apareciam até o joelho, lembram?

 

Via Fastco

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Grandes Esperanças, um clássico revisitado em 1998

Eu amo histórias de amor tristes. Não sei por que, desde pequena sou assim. Talvez seja pelo mesmo motivo que a maioria dos filmes terminam no happy ending: depois que a cortina fecha, aí é que os problemas começam. Então tenho a sensação de que as histórias tristes são mais realistas, e mais românticas. Explico: enquanto o final feliz te dá tudo entregue nas mãos, as cenas tristes dão asas à imaginação. Mantêm o “e se” no ar. Desligo a tv e fico pensando nos mil finais possíveis, nas mil maneiras do casal principal se encontrar, e no quanto é  perfeitamente possivel amar alguém sem poder estar junto.

Todo esse blábláblá para falar de Grandes Esperanças, um filme que está na minha lista de dvd’s para assistir novamente em qualquer momento da vida. Alfonso Cuarón, muito antes de ganhar uma penca de Oscars por Gravidade, foi muito feliz nessa adaptação de 1998. Ele traz a história para os dias atuais, mas mantém a paixão avassaladora do Finn (Pip, para Dickens) pela Estella, candidata ao prêmio de personagem feminina mais sem coração da literatura inglesa. Ah, esqueci de falar que ela é apenas a Gwyneth Paltrow podre de rica criada pela vovó cuja única filosofia de vida é odeio-homens-minha-neta-partirá-corações-para-me-vingar.

O Finn, coitado, é pobrinho, mas tem um super talento para as artes plásticas. Enquanto a musa inspiradora vai viajar pelo mundo e deixa ele chupando o dedo, um mecenas misterioso aparece e banca o guri para viver de arte em Nova Iorque (lembrem-se, essa não é a história original do livro). Eles se reencontram, mas ela continua mais fria que o Alasca e ainda por cima noiva de um milionário. Acontece que o Finn explode em Nova Iorque, vende todos os quadros e fica montado na grana. A essa altura do filme, estamos todos pensando que ele vai dar um pé na bunda dela e criar um pouco de vergonha na cara, quando acontece uma das minhas cenas favoritas do cinema (e a única razão desse post):

I DID IT! I DID IT! I am a wild success. I sold them all… all my paintings. You don’t have to be embarrased by me anymore. I am rich! Isn’t that what you wanted, ahn? Isn’t it great? Are we happy now? Don’t you understand, that everything I do, I do it for you. Anything that might be special in me is you.

O cara é doente de amor. E tudo que eu queria era receber uma declaração dessas, de um cara cuja arte escancaradamente transborda paixão. Mas ok, voltando aos comentários. A fotografia do filme é fantástica, e eu destaco dois pontos em especial.

1. Os quadros do Finn

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Os desenhos são lindos e expressivos, com um traço muito marcante.  Os quadros são do artista italiano Francesco Clemente, que produziu mais de 200 desenhos somente para o filme. Vale a pena conferir o site dele. O interessante é que o cara pinta em aquarela e com um estilo meio neo-expressionista, mas conseguiu determinar uma estética própria para o Finn – grafite e giz colorido.

2. O trabalho com o verde no figurino e na cenografia

teste Não precisa ser um observador atento para perceber que mais da metade do figurino dos personagens é em tons de verde, e os elementos presentes nas cenas (árvores, cortinas e até mesmo o filtro na pós produção) seguem a mesma linha. Quando questionado sobre o assunto, Cuarón alegou ser apenas uma preferência pessoal, uma vez que a cor está presente em vários dos seus trabalhos. Eu, dando pitacos em psicologia das cores, conheço verde pela cor da esperança – o que faz muito sentido, considerando que o filme é narrado pelo Finn.

O filme não chegou a ser um sucesso de bilheterias, e recebeu críticas mistas – principalmente por alterar o enredo de um romance clássico. Os mais puristas talvez fiquem incomodados, mas dada a licença poética, eu amei o filme e super recomendo. E vocês, já assistiram? Comentem o que acharam aí embaixo 🙂

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Movies in Color: desvendando a paleta de cores de cenas do cinema

Não sei vocês, mas eu dificilmente presto atenção em uma imagem decodificando o esquema de cores ali envolvido. Simplesmente gosto ou não. E aí vem o problema; na hora de montar uma paleta de cores legal para algum projeto, fico perdidinha na vida.

A boa notícia é que, faz algum tempo, conheci o Design Seeds, um projeto muito legal que envolve design e fotografia. A proposta é abrir a paleta utilizada nas imagens mais inspiradoras da natureza. Gostei tanto que utilizei para montar o layout do blog (segredinho!)

design-seeds-canhoticesEntão, essa semana, recebi a dica de um projeto parecido, dessa vez com foco no cinema. A proposta do tumblr Movies in Color é apresentar cenas de filmes e suas respectivas paletas de cores, promovendo a inspiração e o aprendizado. O site é atualizado diariamente, com curadoria do designer gráfico Roxy Radulescu, e um dos seus principais objetivos – além do estudo da cor no cinema – é fornecer inspiração aos artistas para pinturas, imagens, design gráfico e outras formas de expressão artística.

O legal é que o site aceita sugestões, embora demore um pouquinho para postá-las, devido ao alto volume de emails recebidos. Para quem ama cinema e tem curiosidade de saber mais sobre composição, é uma ótima pedida. Já aqueles que buscam uma boa ferramenta de pesquisa, podem se divertir com a busca por diretor e filme.

Vicky Cristina Barcelona

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 Moulin Rouge

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Amélie Poulain

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Demais, né? Comentem aí embaixo quais as cenas/filmes que vocês adorariam ver! Eu senti falta de Atonement – qualquer imagem envolvendo a fotografia deslumbrante do filme ou o vestido verde da Keira Knightley já me faria bem feliz 🙂

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Archidirector é a nova série de pôsteres do ilustrador Federico Babina

O ilustrador italiano Federico Babina é bem conhecido por seus pôsteres, que sempre tomam a arquitetura como inspiração – lembram daquela série com o alfabeto ilustrado dos arquitetos? Além dela, o artista têm vários projetos que conversam também com o cinema, por meio da planta baixa de locações icônicas ou cenários famosos.

Em sua nova série Archidirector, Federico faz um exercício de imaginação, projetando as casas de diretores de cinema famosos. As construções trazem elementos que remetem ao universo dos filmes dirigidos por nomes como Alfred HItchcock, Charlie Chaplin, George Lucas e Stanley Kubrick. Confiram:

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03_ARCHIDIRECTOR_Charles--Chaplin-01_700

04_ARCHIDIRECTOR_alfred-hitchcock-01-01_700  05_ARCHIDIRECTOR_Stanley-Kubrick-01_700  07_ARCHIDIRECTOR_David-Lynch-01_700  08_ARCHIDIRECTOR_tim-burton-01_700


 A minha favorita: Hitchcock, porque é absolutamente igual ao condomínio do protagonista de Janela Indiscreta! Mas é injusto escolher uma só, afinal todas as ilustrações têm elementos que aparecem em algum filme conhecido, como as engrenagens de Tempos Modernos e o amarelo e roxo de O Estranho Mundo de Jack.

Pesquisando mais, descobri que o Federico Babina tem uma loja no Society6. Nada barato para quem precisa converter em real, mas ainda assim uma boa fonte para listas de desejo <3

Via Fubiz

 

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A jornada do herói e suas lições para os bons contadores de histórias

Quer saber o que os mocinhos de Hollywood têm em comum com Hércules, Teseu e todas as figuras da mitologia? Ou ainda, existe uma fórmula para escrever uma história que cative a audiência, independente das suas diferenças? A resposta é: sim (e não). Vou reformular: existe sim um ponto de partida –  que data dos mitos mais antigos da nossa cultura

O norte-americano Joseph Campbell dedicou boa parte da sua vida para estudar mitologia, e desenvolveu uma teoria que foi publicada em livro: O Herói de Mil Faces (recomendo muito!). O estudioso descobriu que há uma jornada comum percorrida pelo arquétipo do herói nos mitos antigos e chamou esse modelo de Monomito. Desde então, a teoria tem sido aplicada de pequenos contos até fenômenos da cultura pop. como Star Wars. Encontrei essa animação do TED Ed que apresenta uma síntese do assunto com ilustrações e exemplos super fáceis. Ativem a legenda em português e confiram:

jornada do herói

 

Quem já estudou alguma coisinha de cinema vai identificar os tradicionais pontos de virada, e a estrutura harmonia/desarmonia/harmonia. O legal do modelo de Campbell são as semelhanças com o trabalho de Jung, puxando para a psicologia. As mesmas fases que o herói percorre podem ser aplicadas em nossa própria vida e nos desafios que entrentamos.

Voltando à fórmula para uma boa história:  é claro que a Jornada do Herói não é uma receita de bolo. Afinal, o objetivo de conhecer as regras é saber quando quebrá-las. Um exemplo super atual é o do George Martin, autor de Game of Thrones: o primeiro livro apresenta uma jornada clássica do herói Ned Stark, até cortarem a cabeça do coitado. Essa quebra de expectativa brinca com a audiência e rompe paradigmas mas, por outro lado, o leitor precisa de um herói clássico para se identificar. Ned se foi, mas Jon Snow e Daenerys Targaryen são bem heróicos, certo? Não é de graça que os arcos da rainha dos dragões e do bastardo de Winterfell são alguns dos mais populares na história.

Para quem se interessa por escrita criativa, cinema ou mesmo quem precisa melhorar suas apresentações, recomendo as dicas do Ficção em Tópicos e o pequeno manual do Roteiro de Cinema. As referências são intermináveis, então bora procurar no Google pela Jornada do Herói, ok?

Via Brainpickings

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7 vídeos para celebrar o Dia Internacional da Dança

“Dançar é escrever um poema que se faz com o corpo e que se lê com a alma”.

Muito antes de ser considerada um esporte, a dança é uma arte. Isso porque ela não precisa dos apitos e nem da competição para existir – seu significado já é completo em si mesmo. Para marcar a data aqui no blog, eu selecionei 7 vídeos para celebrar o Dia Internacional da Dança e a influência dessa arte na cultura pop.

1. The Red Shoes (Os Sapatinhos Vermelhos)

O mais antigo da lista é um musical britânico de 1948, inspirado no conto de fadas de Hans Christian Andersen. Moira Shearer é Victoria, uma bailarina dividida entre a carreira e o amor verdadeiro. O filme venceu dois Oscars e desde então é uma referência no mundo da moda, principalmente pelas icônicas sapatilhas vermelhas da protagonista:

Para quem gosta de séries, no final da segunda temporada de Dance Academy a Tara dança esse solo. É absurdamente demais.

2. Dirty Dancing

Nobody puts Baby in the corner – dispensa apresentações. Esse filme continua sendo uma das referências mais fortes quando se fala em dança no cinema. Quem não queria treinar uns saltos com o Patrick Swayze?

3. Under Armour – I Will What I Want

Saindo um pouco do cinema e entrando na publicidade, temos a campanha da Under Armour com a participação da Misty Copeland, solista no American Ballet Theather (e de quebra, a primeira mulher negra a ocupar essa posição na história).

Além de romper todos esses paradigmas, a história de Misty começa de um ponto diferenciado: a menina levou vários nãos por supostamente não ter o corpo adequado para o ballet – musculosa, peituda, começou a dançar tarde, etc. E nada disso impediu que ela se transformasse em uma excelente profissional.

4. Moulin Rouge – El Tango de Roxanne

Injusto falar especificamente dessa cena sem citar o filme inteiro. Moulin Rouge trouxe de volta a categoria dos musicais ao rol de filmes bem-sucedidos – tanto em relação ao público quanto à critica. A direção de arte, a fotografia, a trilha sonora.. para mim, tudo se encaixa perfeitamente no clima intenso do filme.

A cena que eu escolhi se vale da emoção do Tango para expressar um dos sentimentos mais irracionais dos apaixonados: o ciúme.

5. Dança Comigo

Richard Gere é um tiozão deprimido, e todos os dias na volta do trabalho passa por uma escola de dança que desperta sua curiosidade. Encantado com a professora que ele vê da janela do trem (apenas a Jennifer Lopez), ele resolve se matricular. Aprendendo a dança de salão ele se reencontra como pessoa. Fiquem com esse pequeno ensaio:

6. Take me to church – Hozier

O primeiro videoclipe musical da lista é bem recente e fez muito sucesso nos últimos meses. Um exemplo perfeito para quem ainda duvida da capacidade dos bailarinos homens. Impossível alguém não sentir toda a emoção que a dança acrescenta a essa música.

7. Thinking out Loud – Ed Sheeran

Meu favorito da lista! Perdi as contas de quantas vezes assisti a esse clipe desejando ser a bailarina do ruivinho fofo. Detalhe: ele não sabe dançar, e mesmo assim insistiu em aprender a coreografia e fazer tudo sozinho. Como não amar? É romântico sem ser brega, em grande parte devido à performance da moça, que consegue ser delicada como o clipe pede, mas também sensual.

Bônus: Pulp Fiction

Uma Thurman e John Travolta arrasando no concurso de dança (modo freestyle) não poderia ficar fora da lista, né?

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