Livros novos para Abril

Que tal começar o mês de Abril com novas leituras? Eu confesso para vocês que estou um pouco atrasada nas minhas – lancei uma meta ousada de três livros por mês, e em Março simplesmente não rolou nenhum. Acontece, né?

A boa notícia é que no final do mês atualizei a lista e consegui exatos três livros que pretendo ler em Abril (ou assim espero).  Troquei dois livros com uma amiga e consegui as sequências da Série Napolitana, que eu mencionei para vocês no início de Março, quando falei sobre o World Book Day. Para quem não se lembra, o post está aqui.

1. Série Napolitana, Volumes Dois e Três – Elena Ferrante

 
História do Novo Sobrenome e História de Quem foge e de Quem Fica seguem contando a saga das amigas Elena e Lila, exatamente do ponto onde o livro 1 (A Amiga Genial) terminou. Não quero correr o risco de dar spoilers – até porque eu mal comecei a ler o livro 2, mas posso dizer que se o primeiro volume cobria a infância e adolescência das meninas, o próximo segue fazendo a transição para a idade adulta. Uma das meninas terminou o primeiro livro vivendo o que parecia um conto de fadas, e a continuação já começa nos mostrando que a história pode não ser bem assim.

 

2. O Amor nos Tempos do Cólera – Gabriel García Márquez

 
Segunda confissão do post: esse livro é um clássico que eu nunca li. Estava na minha lista faz muito tempo, mas as edições são sempre caríssimas e meu orçamento me fazia optar por títulos mais baratos (outro que está na mesma categoria é Lolita, do Nabokov). Acontece que eu ganhei um vale da Livraria Cultura de aniversário e, com ele, consegui não só comprar o livro-desejo como escolher a edição luxo lindona da Editora Record, que vocês conferem aí embaixo.

Evidente que farei uma resenha para cada um desses livros então, principalmente no que diz respeito ao terceiro livro, vou evitar dar muitas descrições – até porque O Amor nos Tempos do Cólera já foi adaptado para o cinema, o que torna a história mais conhecida. Eu não vi o filme, então estou passando pelas páginas apenas sabendo que se trata de uma história de amor que perdura por 50 anos. O cenário? A América Latina e o realismo fantástico típico de outros livros do autor, como Cem Anos de Solidão.

Vocês podem me desejar sorte e boa leitura – se tudo der certo, no fim do mês eu trago as resenhas por aqui!

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Três dicas de livros para comemorar o World Book Day

Hoje o Canhotices está em festa pelo World Book Day (Dia Mundial do Livro)! Para quem nunca ouviu falar, trata-se de uma verdadeira celebração de autores, ilustradores, livros e – mais importante – do hábito da leitura. Esse é o maior evento do tipo, uma iniciativa da UNESCO para incentivar a leitura em mais de 100 países ao redor do mundo.

Para comemorar, eu separei três livros legais que li nos últimos seis meses para indicar para vocês. Tem para todos os gêneros, assim ningém fica perdido!

#1 A Amiga Genial, de Elena Ferrante

 

Esse é o livro mais recente que eu li (terminei agora em fevereiro) e é o primeiro volume da chamada Série Napolitana. A tetralogia narra a história de duas amigas ao longo de suas vidas tendo como pano de fundo a Nápoles da década de 1950. Embora seja permeada pela violência e transformações da Itália do pós-guerra, a narrativa principal é a dinâmica da amizade feminina, com suas nuances complexas, estranhas e sempre muito intensas.

Elena e Lila, as duas protagonistas, alternam o tempo inteiro momentos de união, competição, planos e acima de tudo, crescimento. O mais legal é que o livro também narra a tarnsformação que ocorreu na vida da grande maioria das mulheres a partir da segunda metade do século XX. Temas como trabalho, liberação sexual e escolhas de carreira/objetivos de vida, fazem parte da história, e dá para traçar um comparativo bem legal entre o que era comum há pouco mais de 60 anos atrás e o que vivemos nos dias de hoje.

A autora, Elena Ferrante, é uma italiana que escreve sob pseudônimo e cuja identidade permanece em segredo até hoje. Apesar disso, lena ela foi eleita uma das 100 pessoas mais influentes do planeta pela revista “Time” no ano de 2016.

#2 Travessuras da Menina Má, Mario Vargas Lllosa

 

Ok, aceito todo tipo de xingamento e repreensão por não ter lido esse livro antes. Muitos de vocês já devem conhecê-lo, mas como eu AMEI, preciso comentar aqui. Eu sou fã das histórias de amor, e essa é um prato cheio para os românticos.

A narrativa conta a vida de Ricardo, um garoto peruano que cresce em Lima e desde pequeno tem duas paixões: Lily, uma “chilenita” misteriosa e aventureira, e o sonho de morar em Paris. O garoto cresce e acompanhamos as várias fases de sua vida, nas quais ele sempre topa com a moça que muda de nome e marido o tempo inteiro, partindo o coração do bobo apaixonado. A história atravessa a Paris dos anos 60, Londres e o movimento hippie dos anos 70, Tóquio nos anos 80 e a Madri da época de transição política dos anos 90.

Esse livro me lembrou bastante Grandes Esperanças – mesmo esquema do cara apaixonado correndo atrás da mulher de coração gelado – com a diferença de que a história de amor é mais central e explícita do que na narrativa de Dickens. O livro é forte, lindo e me emocionou demais. Super recomendo.

#3 Gélido, Tess Gerritsen

 

Meu gênero favorito são os policiais (sou uma curiosa, fazer o quê) e já tinha recebido várias vezes a recomendação de ler livros da Tess Gerritsen. Gélido foi o primeiro material dela que eu li, e gostei muito!

Esse livro faz parte daquilo que fui descobrir ser uma série (tipo Harlan Coben com os livros do Myron Bolitar) contando as aventuras da médica-legista Maura Isles e da detetive Jane Rizzoli. A história tem um clima bem claustrofóbico, pois se passa durante uma nevasca na qual a personagem principal fica presa em um vilarejo chamado Kingdom Come. A pequena cidade abandonada vai aos poucos revelando a história de uma seita misteriosa, ao pior estilo Charles Manson – pensem em exploração sexual combinada com cultos apocalípticos.

Estou bem acostumada a ler thrillers, mas essa história conseguiu me deixar tensa do início ao fim. O clima de angústia e apreensão permeia todo o livro, com um toque de realidade ao pensarmos que essas seitas macabras são bem mais comuns do que pensamos. Tenso.


Coloquei em cada título o link para compra na Cultura, como sugestão para quem desejar adquirir os livros. Se vocês ainda não leram, aproveitem a oportunidade para colocar na wishlist. Quem já leu pode comentar aí embaixo o que achou, certo?

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Bolsas cheias de estilo criadas para carregar seus livros favoritos

Krukrustudio, uma loja especial que fica em Moscou (com esse nome, só podia ser russo!), cria bolsas e mochilas únicas inspiradas na paixão pela literatura. Pensadas para se assemelhar a romances famosos, as bolsas já saem ganhando quando comparadas às sacolas onde normalmente carregamos livros, não é?

Cada mochila apresenta uma capa icônica de alguns dos livros mais conhecidos da história da literatura. Entre os escolhidos, estão clássicos como Apanhador no Campo de Centeio, O Sol Nasce para Todos, e até mesmo os infantis cheios de graça, como O Pequeno Príncipe e Alice no País das Maravilhas.

Já vi várias propostas semalhantes para capinhas de Kindle, mas confesso que mochilas são uma ideia única. E fica muito legal!

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Jane Austen, super clássica!

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O clássico de Sylvia Plath ganha um look super moderno

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Vermelho digno de Frankenstein – quem não ama essa capa?

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Charles Dickens em versão sóbria

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Uma capa super dark para Hamlet

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E o amorzinho Pequeno Príncipe

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Madame Bovary em uma de suas capas mais antigas

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Mais informações: Krukrustudio, Etsy, Instagram, Facebook (h/t: mymodernmet, boredpanda)

Via Design You Trust

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Grupo de artistas revela mural celebrando 250 anos de história literária

A Graphic History Company – uma empresa que desenvolve soluções de design pensando na história das marcas – revelou recentemente o Author Mural, uma peça feita para celebrar os 250 anos de história literária no Carmelite House, um prédio famoso de Londres, ao norte do rio Tâmisa.

O mural apresenta os nomes dos autores mais famosos publicados pela Hachette UK, desde a fundação da mais antiga publicadora do grupo, John Murray, em 1768, até os dias atuais. Os nomes incluem Charles Darwin, Jane Austen, Bram Stoker, Nabokov, Nelson Mandela, JK Rowling e Malala Yousafzai. Além disso, também estão inclusos autores que receberam o prêmio Nobel, e vários momentos da história da empresa, como o incêndio que levou as memórias de Lord Byron em 1824.

 

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O trabalho é o resultado de uma extensa pesquisa executada pela Graphic History Company em parceria com a British Library, o que resultou em uma base de dados com mais de 55 mil autores publicados coletivamente pelas empresas da Hachette ao longo de sua história. O mural apresenta os nomes de aproximadamente 4 mil autores, e vai crescer conforme os nomes de novos escritores forem acrescentados no futuro.

O nome de cada autor foi escrito à mão pela ilustradora Kate Forrester, em um design ondulado que faz referência ao Rio Tâmisa, onde fica um dos escritórios do grupo Hachette. O mural percorre o átrio, escadaria e corredores do escritório, ocupando 6 andares e 450 metros quadrados de espaço na parede.

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Emma Pike, fundadora da Graphic History Company, afirmou: “Foi um privilégio enorme navegar na incrível história da Hachette e dos seus autores – e igualmente, criar uma história visual de escala tão grande quanto a de um edifício”

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Achei super interessante a proposta dessa empresa, de traduzir em elementos visuais e história dos clientes. O projeto fica muito personalizado e ganha um valor sentimental, né? Para quem também curtiu, recomendo obter mais informações nos sites The Graphic History Company e Hachette.
 
Via Design You Trust

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Resenha do Livro Lugares Escuros

Como vocês sabem, tirei alguns dias de férias, e prometi que traria resenhas dos livros que eu li. Mantenho a minha palavra e vou começar com o único livro da Gillian Flynn que eu ainda não tinha lido: Lugares Escuros. Vou usar uma situação que ocorreu na Livraria Cultura para explicar porque gosto tanto dessa autora: pedi a um dos vendedores que me indicasse algum livro policial em um estilo parecido com o dela. Sabe qual foi a resposta? “Ah, semelhante à Gillian Flynn é difícil de encontrar. É mais fácil se você me disser outros autores que gosta”.

Vamos à resenha

Depois de três livros lidos, já percebi que é do estilo da autora ambientar as tramas no meio-oeste americano, tipo Kansas e Missouri. Dessa vez a nossa ~heróina~ é a Libby Day, única sobrevivente de um massacre que matou sua mãe e as duas irmãs na fazenda da família. O irmão mais velho, Ben Day, foi condenado pelo assassinato da família em um susposto ritual satânico. Tudo parece bem definitivo, uma vez que no início da narrativa Ben já está na cadeia faz 28 anos cumprindo pena pelo crime graças ao depoimento da própria Libby, que em juízo testemunhou contra o irmão (detalhe que ela tinha apenas sete anos).

O chamado à aventura se dá quando a Libby – que desde a época do crime vive de doações e fundos de caridade – percebe que não tem mais dinheiro. Incapaz de trabalhar, ela recebe uma proposta tentadora do Kill Club, que é basicamente a coisa mais bizarra que eu já vi na vida. Trata-se de um clubinho de pessoas jogando detetive com histórias reais, fãs de crimes famosos que se reúnem para tentar desvendar casos controversos. Alguns dos membros do clube se dedicam a estudar o massacre da família Day, e Libby percebe que pode ganhar dinheiro compartilhando detalhes do ocorrido com toda essa galera.  Só tem um detalhe: 100% do clube acredita que Ben Day foi condenado injustamente.  Libby, é claro, fica furiosa, mas diante da oportunidade de ganhar o dinheiro (motivo super nobre) se vê obrigada a rever o caso, e questionar as suas crenças com relação ao papel do irmão.

A partir daí, a narrativa intercala os pontos de vista de três personagens: Ben e Patty Day (a mãe da família), no dia do crime, e Libby Day, nos dias atuais. É nesse ponto que a história toma corpo e fica interessante, pois somos confrontados com os dilemas de uma família super humilde, uma mãe praticamente solteira que precisa cuidar de quatro crianças sem poder contar com o marido, um oportunista que só aparece para pedir dinheiro. Apesar dessa realidade não ser nada original, a cada capítulo vamos vendo uma série de pequenos problemas se avolumando e criando um cenário tenso, anunciando uma catástrofe. Essa é uma das características que eu mais gosto no thriller psicólogico: a tensão que é criada com fatos ordinários, e acaba deixando aquela sensação ruim conforme vamos virando as páginas.

Aniquilação

Além do relato da Patty Day, conhecemos a realidade do próprio Ben, que é um personagem interessante e controverso. Sentimos pena do garoto de 15 anos que é rejeitado no colégio por ser pobre, não consegue se encaixar em ambiente algum e ainda precisa conviver com três pirralhas em casa no auge da adolescência.  Por outro lado, o guri tem uma violência dentro de si e uma exímia capacidade de fazer uma besteira atrás da outra (e qual adolescente não é assim?).

Tudo isso, naturalmente, leva Ben a se envolver com drogas e também a arrumar uma namorada completamente pirada (e uma das personagens mais fortes da história), a Diondra. É ela quem vai introduzir o Ben a um bando de adolescentes ~rebeldes e satanistas~. Aliás, essa história do satanismo é um dos pontos mais ricos do livro: para mim, eles são um bando de piás chapados ouvindo heavy metal e brincando de jogo do copo. Junte a isso o terror que se espalhou nos anos 80 com relação a seitas satânicas, e voilá. Temos a receita para a perdição. Por outro lado, uma amiga leu o livro e realmente se apavorou o tema. As duas opiniões são válidas, e o livro abre brecha para múltiplas interpretações. Além disso, vários questionamentos surgem: ok, os piás estavam brincando com fogo. Saíram queimados? O massacre foi consequência de um ritual satânico, como mais tarde uma das personagens sugere? Cabe ao leitor julgar.

Ao longo de sua busca, Libby confronta novos fatos sobre o crime e, finalmente, acaba topando com o assassino. Mas isso é consequência da história. O mais legal, para mim, são os debates que ela levanta: até que ponto se pode levar em conta o testemunho de uma criança em uma investigação tão séria? Até que ponto a polícia e os assistentes sociais colocam as palavras que querem ouvir na boca das testemunhas? Como, às vezes, pequenas crianças acendem um fósforo capaz de tocar fogo em uma floresta inteira? Se eu pudesse explicar o livro em uma analogia, diria que são personagens abrindo a Caixa de Pandora, todos ao mesmo tempo. O resultado, é claro, uma tragédia.

O Veredito

 Super recomendo a leitura, até porque acabei com o livro em dois dias. A história é pesada, mas os capítulos seguem uma boa cadência e o leitor se sente cada vez mais sugado dentro da narrativa. Apesar disso, ele é um pouco mais leve que Garota Exemplar e Objetos Cortantes. Frase mais marcante: Eu tenho a maldade dentro de mim, tão real quanto um órgão.

Quero ouvir a opinião de vocês! Se alguém aí já leu, que tal publicar as suas ideias aí nos comentários? Lembrando que, para quem gosta de Gillian Flynn, também fiz uma resenha de Objetos Cortantes há um tempo atrás.

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Hotel Biblioteca em Tóquio é o paraíso para os amantes dos livros

Um esconderijo para bibliófilos (um jeito bonito de dizer rato de sebo) acaba de ser inaugurado em Tóquio: uma biblioteca que não expulsa os leitores no fim do expediente. Pelo contrário, o espaço encoraja o público a passar a noite ali, porque na realidade se trata de um hotel.

No dia 05 de novembro, a Book and Bed Tokyo – um hotel com temática de livros  – foi aberto, permitindo que os hóspedes durmam em verdadeiros compartimentos japoneses, construídos dentro de prateleiras que acomodam mais de 1700 livros. O hotel pode receber 12 hóspedes entre as estantes, em espaços que variam de 32 a 50 dólares, dependendo do tamanho. Fora da área comum de leitura, acomodados em sofás super confortáveis, há espaço para mais 18 hóspedes. Olha só:

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A auto intitulada livraria-alojamento pode até não ter todas as acomodações luxuosas de um hotel cinco estrelas (os compartimentos medem pouco mais de 2,1m², com uma  cama em cada um), mas a Book and Bed Tokyo deixa claro que a experiência é muito mais  sobre cochilar ao lado de um bom livro do que dormir em lençóis de seda. O hotel biblioteca tem planos de expansão para uma coleção de 3 mil livros, que devem incluir muitos guias do Japão em inglês.  Os livros estão 100% disponíveis para leitura dos hóspedes, mas nenhum deles está à venda. Tem até opção para os fãs da tela iluminada: o hotel é e-book friendly e oferece free Wi-Fi.

Fica a dica para me darem de presente no Natal, amigues! Apenas amando 😀

Via CNTraveler

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