Resenha Livro Lobo Mau

Ok, em primeiro lugar: tomei vergonha na cara e resolvi publicar uma resenha, porque faz séculos que não escrevo nada relacionado à literatura aqui. Terminei esse livro nas férias de Julho, e estou até agora me enrolando para escrever esse post – e, consequentemente, travada em quaisquer outras resenhas porque se eu pular um livro vou acabar esquecendo de comentar sobre ele.

Aviso aos navegantes: apesar do título, Lobo Mau não tem nada a ver com as vertentes 50 shades of grey que andam por aí.  Importante explicar, porque em tempos de soft porn, é provável que alguém pense que estou falando de um predador sexual a la Christian Grey. E embora o livro fale de predadores, não são do tipo que vão fazer as mocinhas suspirarem. Tive contato com esse livro na estante da Cultura, e namorei ele por alguns meses até comprar. Como vocês sabem, eu gosto de ler suspense, e estou sempre procurando novos autores que me tirem da zona Harlan Coben de conforto.

Lobo Mau é escrito por Nele Neuhaus, uma autora de policiais e livros juvenis que estourou na Alemanha. Na capa do livro fala que é o #1 de vendas no país de origem, o que despertou minha atenção.  Descobri que essa autora – assim como Agatha Christie e vários outros que escrevem suspense – também trabalha uma série de livros com os mesmos detetives. Nesse caso, falamos de Pia Kirchoff e Oliver Bodenstein, assignados para investigar uma série de crimes sexuais envolvendo crianças. Segue a sinopse oficial:

Uma adolescente é encontrada morta no rio Meno, nos arredores de Frankfurt. Sua identidade é um mistério. Aparentemente, ela é a terceira vítima de uma festinha regada a álcool que terminou tragicamente, mas a polícia descobre que a água nos pulmões da garota não é do rio, e que seu cadáver mutilado está ali há dias. Pia Kirchhoff e Oliver von Bodenstein, os detetives do best-seller Branca de Neve Tem que Morrer, agora trabalham para descobrir quem aprisionou, estuprou e brutalizou a jovem. Enquanto isso, mais crimes acontecem: a apresentadora de um programa de TV sensacionalista é espancada, estuprada e trancada no porta-malas de seu próprio carro e uma psiquiatra sofre uma morte terrível. A ligação entre os crimes é uma rede de violência e corrupção que atinge a elite da sociedade e o próprio departamento de Pia. Mas talvez seja tarde demais para ela e Oliver descobrirem quem é o lobo mau.

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As minhas impressões: o livro tem muitos personagens, então quem tem dificuldade com narrativas desse tipo (A Song of Ice and Fire mandou lembranças) pode estranhar um pouco. Entretanto, todas as tramas se justificam e fazem sentido no final – e o interessante é que a autora consegue abordar as complexidades e dramas de cada um dos personagens, sem cair em um terreno clichê. Em alguns momentos, a trama policial chega a ceder espaço para os conflitos familiares e pessoais, e confesso que isso acabou me fazendo pegar o ritmo do livro só do meio para o final.

Em função da complexidade de atores, os primeiros capítulos são um pouco difíceis de acompanhar, uma vez que estamos nos habituando aos diferentes nomes pipocando por aqui e ali. Os leitores mais acostumados a histórias de amor como pano de fundo podem estranhar a narrativa mais seca – em compensação quem gosta de uma história mais policial e crua, vai gostar.

Destaques: personagens femininas bem construídas e ativas, como a detetive Kirchoff e a jornalista duvidosa Hanna Herzmann, que apesar do perfil carniceira/sensacionalista, prova-se uma mulher de coragem. Outra trama bem interessante é a de Emma, uma mulher que volta à Alemanha com o marido para ter o segundo filho, e vai morar com os sogros. Tudo parece perfeito, até que ela começa a desconfiar do comportamento arredio e histérico da filha Louisa, uma menininha até então completamente normal.

O lobo mau é no-jen-to, e as piores passagens do livro são narradas no passado, nas memórias de uma criança traumatizada. Segurem o estômago. Suspeitos acabam se mostrando inocentes e pessoas normais revelam suas piores facetas. E não esperem por um final docinho, porque a história segue uma linha super realista.

Alguém aí já leu? Adoraria ouvir as opiniões de vocês nos comentários. 🙂

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Resenha do livro Objetos Cortantes

Estive um pouco ausente nos últimos dias, e prometi que assim que voltasse faria uma resenha do livro que eu terminei de ler. Promessa é dívida, então aí vai. Sem spoilers. podem ficar tranquilos.

Objetos Cortantes é o livro de estreia de Gillian Flyn, autora do best-seller Garota Exemplar, que chegou aos cinemas em 2014 com Ben Affleck e Rosamund Pike na pele dos personagens principais. O título faz jus ao que se espera de um primeiro livro – a trama é interessante, apesar de encontrarmos alguns furos na narrativa. Demorei três dias para ler, mas foi porque estava sem tempo. Vamos aos fatos:

Apenas mais uma família disfuncional

A heroína (se é que podemos chamá-la assim) da história é Camille Preaker, uma jornalista de 20 e tantos anos que vive em Chicago e trabalha em um jornal de pouca expressão. Ela mesma é uma profissional medíocre, apesar de ter um bom potencial. É pensando nisso que seu editor a comissiona para cobrir uma série de assassinatos bizarros em Wind Gap, Missouri, sua cidade natal. Enquanto o chefe acredita que a ligação com o ambiente facilita o trabalho, Camille reluta bastante em aceitar a oportunidade por não se relacionar bem com a famílila.

O que só descobrimos depois de umas belas cinquenta páginas, é que a nossa protagonista é uma cutter – em bom português, alguém que pratica a auto-mutilação. Recém-saída de um hospital psiquiátrico, ela ainda está em recuperação, mas tem o corpo inteiro coberto por cicatrizes. Ao contrário da maioria dos casos, ela não faz riscos aleatórios, mas fura a pele para escrever palavras.  Antes mesmo dessa revelação, percebemos que ela tem o hábito de relacionar os sentimentos a palavras que pulsam em seu corpo. Sensível, mas extremamente problemática.

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O mistério? Duas menininhas mal comportadas foram assassinadas brutalmente, e tiveram todos os seus dentes arrancados. Sem registros de violência sexual, o crime põe a cidade pequena em polvorosa, e é durante a investigação de Camille que vamos desvendando os seus segredos mais obscuros. O que parecia um típico vilarejo de interior mostra suas verdadeiras cores conforme vamos conhecendo a natureza dos seus habitantes: pessoas frias, más, cujo único passatempo é falar mal dos outros e construir a própria reputação com base na humilhação alheia.

Não existe absolutamente nenhum personagem solar na história. Todos são problemáticos e com vários traços de caráter perturbadores. A história é pesada e em vários momentos da leitura eu fiquei com uma sensação ruim, uma angústia muito forte. Não pela violência ou pela sexualidade precoce (as menininhas de 13 anos do livro fazem coisas que deixariam muita mulher safada de cabelo em pé), mas pela constante tensão psicológica. Você fica com pena, com raiva, assustado, mas ao mesmo tempo entende de onde esses comportamentos se originam, e é tentado a justificar as atitudes mais odiosas da história. Entre as piores, estão as praticadas pela mãe de Camille, Adora, e a sua meia-irmã, Amma (que é basicamente uma mistura da Sandy com a Noiva do Chucky).

Eu gostei bastante da construção dos personagens e da narrativa, mas me decepcionei um pouco com o final. O livro quebra o ritmo muito bruscamente para resolver o mistério nos dois capítulos finais, apelando para uma reviravolta que parece meio apressada. De qualquer forma, não foi nada que invalide a leitura.

O Veredito: Objetos Cortantes é bem mais pesado do que Garota Exemplar. O ritmo é menos acelerado, mas ainda assim a tensão psicológica e a loucura trazem um tom bem amargo para a história. Recomendo o livro, mas com algumas ressalvas para pessoas sensíveis demais. A frase mais marcante? Uma criança criada com veneno considera dor um consolo.

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A jornada do herói e suas lições para os bons contadores de histórias

Quer saber o que os mocinhos de Hollywood têm em comum com Hércules, Teseu e todas as figuras da mitologia? Ou ainda, existe uma fórmula para escrever uma história que cative a audiência, independente das suas diferenças? A resposta é: sim (e não). Vou reformular: existe sim um ponto de partida –  que data dos mitos mais antigos da nossa cultura

O norte-americano Joseph Campbell dedicou boa parte da sua vida para estudar mitologia, e desenvolveu uma teoria que foi publicada em livro: O Herói de Mil Faces (recomendo muito!). O estudioso descobriu que há uma jornada comum percorrida pelo arquétipo do herói nos mitos antigos e chamou esse modelo de Monomito. Desde então, a teoria tem sido aplicada de pequenos contos até fenômenos da cultura pop. como Star Wars. Encontrei essa animação do TED Ed que apresenta uma síntese do assunto com ilustrações e exemplos super fáceis. Ativem a legenda em português e confiram:

jornada do herói

 

Quem já estudou alguma coisinha de cinema vai identificar os tradicionais pontos de virada, e a estrutura harmonia/desarmonia/harmonia. O legal do modelo de Campbell são as semelhanças com o trabalho de Jung, puxando para a psicologia. As mesmas fases que o herói percorre podem ser aplicadas em nossa própria vida e nos desafios que entrentamos.

Voltando à fórmula para uma boa história:  é claro que a Jornada do Herói não é uma receita de bolo. Afinal, o objetivo de conhecer as regras é saber quando quebrá-las. Um exemplo super atual é o do George Martin, autor de Game of Thrones: o primeiro livro apresenta uma jornada clássica do herói Ned Stark, até cortarem a cabeça do coitado. Essa quebra de expectativa brinca com a audiência e rompe paradigmas mas, por outro lado, o leitor precisa de um herói clássico para se identificar. Ned se foi, mas Jon Snow e Daenerys Targaryen são bem heróicos, certo? Não é de graça que os arcos da rainha dos dragões e do bastardo de Winterfell são alguns dos mais populares na história.

Para quem se interessa por escrita criativa, cinema ou mesmo quem precisa melhorar suas apresentações, recomendo as dicas do Ficção em Tópicos e o pequeno manual do Roteiro de Cinema. As referências são intermináveis, então bora procurar no Google pela Jornada do Herói, ok?

Via Brainpickings

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10 palavras de outras culturas que não possuem tradução

Palavras são a matéria prima do pensamento, segundo o Tiago Yonamine, autor de um dos projetos mais legais da internet: o Glossário. Ali, ele compartilha uma coleção de palavras pouco conhecidas, visualmente ilustradas e com explicações em detalhe. As minhas favoritas são sempre as de outras línguas, sem tradução para o português. Elas definem sentimentos, ações e qualidades com as quais muitas vezes nos identificamos apenas emocionalmente. Funciona como saudade – a expressão viva de um sentimento que só existe em português.

Foi por isso que fiquei encantada ao encontrar o projeto da ilustradora Ella Frances Sanders, autora do livro Lost in Translation. Basicamente, é uma coleção de verbetes que não possuem tradução na língua inglesa + ilustrações brilhantes e extremamente delicadas. Inicialmente eu pensei em traduzir na própria imagem, mas não fazia sentido meter a mão no trabalho tão lindo da artista. Então fiquem com os originais:

10 palavras de outras culturas que não possuem tradução

 

1. Alemão: Waldeinsamkeit

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Não alimento qualquer expectativa de pronunciar isso corretamente, mas a tradução seria o sentimento de solidão em meio à floresta, estar só junto à natureza e conectado com o ambiente.

2. Italiano: Culaccino

palavras_canhotices2A marca deixada na mesa por um copo gelado (aparentemente, os italianos não conhecem descanso de copo).

3. Inuit: Iktsuarpok

palavras-canhotices3Esclarecimento: Inuit é a língua dos esquimós. A palavra quer dizer o sentimento de antecipação que nos leva a olhar para fora o tempo todo, para verificar se alguém está chegando.

Curioso pensar nesse significado quando nos lembramos que esse povo vive em uma das regiões mais remotas do mundo, e provavelmente não encontra tanta gente por aí como nós. A espera por outra pessoa deve provocar um sentimento bem pior do que mera ansiedade.

4. Japonês: Komorebi

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Essa é a expressão que os japoneses usam para se referir ao momento em que a luz do sol atravessa as árvores, criando raios de luz por entre as folhas. Poético, não?

5. Russo: Pochemuchka

palavras-canhotices5Os russos chamam de pochemuchkas as pessoas que fazem muitas perguntas. E provavelmente o tempo todo. Aposto que algum desses trabalha com vocês.

6. Indonésio: Jayus

palavras-canhotices6Jayus quer dizer uma piada tão ruim, mas tão ruim, que acaba fazendo as pessoas rirem. Um segredo: não raras vezes eu faço dessas.

7. Havaiano: Pana Po’o

palavras-canhotices7Os havaianos usam essa palavra para se referir ao ato super racional de coçar a cabeça para tentar lembrar de um item perdido (tipo as chaves, como na ilustração).

8. Francês: Dépaysement

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A famosa Canção do Exílio, de Gonçalves Dias, fala sobre o sentimento de estar longe da terra natal. E é exatamente esse o significado da palavra Dépaysement (arrisco um neologismo: depaisamento)

9. Urdu: Goya

palavras-canhotices9Urdu é o idioma do Paquistão e um dos 24 idiomas nacionais da Índia. Essa palavrinha traduz o momento em que estamos tão entretidos com uma leitura, que por alguns instantes mergulhamos no universo narrado e suspendemos a descrença que nos faz saber que tudo aquilo não é real. Posso me identificar perfeitamente com esse sentimento, o que fez dessa a minha palavra favorita da lista <3

10. Sueco: Mangata

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Mangata é a trilha que o reflexo da lua produz na água, que se parece muito com uma estrada.

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Ford Falcon se transforma em livraria itinerante em formato de tanque de guerra

Para celebrar o World Book Day, a 7UP se uniu ao artista Raul Lemesoff na criação da arma de destruição em massa mais maravilhosa dos últimos tempos – uma livraria itinerante em forma de tanque, que vai viajar pela Argentina bombardeando cultura por todos os lados. O projeto criado por Lemesoff ao longo dos últimos anos, transformou um Ford Falcon de 1979, no Batmóvel (resumindo é isso, né?). O veículo ganhou ares militares, com uma câmara giratória superior e um pseudo-cano atirador.

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ford-falcon-se-trasnforma-em-livraria-canhotices1Embora tenha cara de veículo apocalíptico/terceira guerra mundial, o tanque cumpre uma função completamente pacífica – visitar os centros urbanos e comunidades rurais da Argentina, oferecendo livros gratuitos para as pessoas interessadas. As estantes do tanque comportam aproximadamente 900 livros, com uma coleção variada de poesia, romances e biografias. As imagens são lindas e mostram uma ação que de fato contribui para melhorar a educação, as pessoas e o país. Nossos hermanos deram show!

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ford-falcon-se-transforma-em-livraria-canhotices4A ação colaborativa com a 7UP é uma continuação da campanha “Feels good to be you”, que celebra a originalidade e a autenticidade. O vídeo abaixo mostra como o Ford Falcon se transforma em livraria itinerante dentro de um estúdio, e depois vai às ruas para literalmente espalhar palavras ao vento. Demais!

Via DesignBoom

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5 livros para prender o fôlego no World Book Day

Como todo bom bookworm, eu não poderia deixar o World Book Day passar em branco aqui no blog. É difícil fazer listas, e mais difícil ainda é lembrar dos livros que andei lendo no último ano. É sério – fui de Jogos Vorazes a Dostoievsky. Ciente dessa pequena falta de coerência, resolvi segmentar por gênero então. E meu gênero favorito é, sem sombra de dúvida, o suspense. Policiais, então, ainda melhor. Então fiquem aí com a minha lista de 5 livros para prender o fôlego e virar a madrugada com a luzinha de cabeceira bem acesa:

1. Desaparecido para Sempre, Harlan Coben

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Se você nunca leu Harlan Coben, leia. Mesmo que você não seja acostumado a ler thrillers. Impossível não gostar. O cara é conhecido como mestre das madrugadas em claro, e não é mais uma dessas citações de New York Times que vão parar na capa dos bestsellers. É sério, e eu já vivi isso. Foi complicado escolher apenas um título dele, porque até os mais sem gracinha são bons.

Terminado esse jabá gratuito do autor, vamos à obra. Will era um menino tímido e fracotinho, que sempre contou com o irmão mais velho e ídolo, Ken, para se safar de todos os problemas no colégio. E teria sido assim se não houvesse um crime no meio da história: a vizinha e namorada do Will, Julie, é assassinada brutalmente. Ken é considerado o principal suspeito do crime e desaparece sem deixar rastros durante 10 anos. A família nunca mais se recupera – embora Will continue ferrenhamente defendendo a inocência do irmão. No leito de morte, a mãe revela a ele que Ken está vivo, o que dá início a uma perseguição e mais coisas que eu não posso contar.

Depois que ler todo o livro, recomendo voltar à citação da primeira página: “No fim, a mais desagradável das verdades é preferível à mais bela mentira”.

2. Garota Exemplar, Gillian Flynn

garota-exemplarEsqueçam o filme, sério. Fincher é legal e eu acredito que ele foi bem feliz na adaptação para a telona, mas é muito difícil perceber no cinema todas as nuances e ironias que envolvem o relacionamento do casal protagonista.

Não dá para entrar em detalhes da sinopse sem entregar as reviravoltas, então serei bem básica. O livro intercala presente e passado, narrados pelo casal Nick e Amy Dunne. Nick relata o desaparecimento da esposa no aniversário de casamento e, embora ele jure inocência o tempo inteiro, ficamos cada vez mais desconfiados com sua incapacidade em refutar as evidências que o incriminam. Por outro lado, temos o diário de Amy, que demonstra ser uma esposa meiga e apaixonada, lutando para salvar um casamento em crise. Todos corroboram com essa imagem, exceto Nick, que só sabe detonar a mulher com quem se casou.

A única certeza que temos o tempo inteiro? Casamento mata.

3. Os homens que não amavam as mulheres, Stieg Larsson

Os-Homens-Que-Não-Amavam-As-MulheresInjusto citar só o primeiro livro, então a recomendação envolve a Triologia Millenium inteira. A adaptação sueca é muito boa, mas o filme do Daniel Craig é tosco. Ai, mas por quê? Simplesmente porque ele romantiza a personagem feminina mais badass da literatura atual.

Lisbeth Salander é a garota da tatuagem do dragão, uma menina bem esquisita e problemática, mas com uma inteligência no mínimo 10 vezes acima da média. Eu já disse badass? Ela se une ao jornalista Mikael Blomkvist para investigar um serial killer que seguia ritos bizarros da Bíblia para assassinar mulheres.

O livro é uma ode ao feminismo. E eu nunca vou perdoar Hollywood por ter enfiado o Daniel Craig para macho-alfar a história.

4. Um grito na noite, Mary Higgins Clark

um-grito-na-noiteJenny MacPortland é linda, inteligente, divorciada e tem duas filhas para criar. Ah, e tem o bônus de um ex-marido pé no saco que vive pedindo dinheiro. Ela trabalha em uma galeria de arte, e se encanta ao conhecer o pintor Erich Krueger. O cara é rico, bonito e se apaixona por ela a ponto de já sair propondo casamento, mesmo levando duas filhas no pacote. Como não existe almoço de graça, Jenny percebe que o bonitão tem um complexo de Édipo muito forte, que parece crescer em função da mórbida semelhança entre a esposa e a falecida mãe.

Não preciso dizer que, depois do casamento, o casal vai morar no campo e os problemas aparecem. O ponto é que até os capítulos finais fica difícil definir exatamente o que é esse problema e de onde ele vem, o que vai levando o leitor a uma agonia aparentemente interminável. Difícil de prever as reviravoltas da história, e olha que eu sou craque em tentar adivinhar o final dos livros (e acertar!).

5. A sangue frio, Truman Capote

1-a-sangue-frio“Mas Nati, Capote não é ficção!”. Sim, e daí? Nem por isso deixa de ser um thriller excelente. A Sangue Frio foi um dos primeiros exemplares do chamado jornalismo literário, e é fruto da profunda pesquisa feita pelo autor para recontar a chacina da família Clutter, na pequena Holcomb, localizada no Kansas.

Combinando a objetividade característica das reportagens com recursos da narrativa do suspense, vamos conhecendo cada um dos membros da família e as motivações dos assassinos, que foram executados em 1959. Ótima leitura para futuros (e por que não, atuais) jornalistas.

 

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