Abadia de Admont é a verdadeira biblioteca da Bela e a Fera

Quando criança, o meu conto de fadas/desenho da Disney favorito era a Bela e a Fera. É claro que eu devo ter assistido um milhão de vezes, mas lembro especialmente da cena em que a Fera leva a mocinha para conhecer a sua biblioteca – que é simplesmente sensacional. Eu, que desde sempre fui uma rata de sebo, ficava embasbacada sonhando em ter uma biblioteca assim.

Imaginem a minha surpresa quando vi as imagens da Abadia de Admont, construída em 1074, nos Alpes Austríacos. Dentro dela, está a maior e mais antiga biblioteca monástica do mundo, que misteriosamente tem muitas semelhanças com aquela do desenho. Os fotógrafos do blog VonWong conseguiram autorização recentemente para visitar o lugar e fazer uma sessão de fotos. Não preciso dizer que eles ficaram encantados, as imagens falam por si:

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Ao colocar as duas lado a lado, é impossível não perceber a inspiração da Disney – ok, eu sei que a cena aí embaixo é no salão de festas, mas mesmo assim a arquitetura é muito semelhante.

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Admont Abbey Library, Austria

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Apenas que: eu tiraria 20 dias de férias só para ficar sentadinha percorrendo todos os corredores e (tentando) ler todos os livros que me chamassem a atenção! A-mei!

Via Fubiz

 

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Russa Ekaterina Panikanova desenha usando livros e cadernos antigos como telas

Não raro, o meio que um artista usa é tão importante quanto a sua criação. Em comunicação, existe uma máxima que diz que o meio é a mensagem – o que cai muito bem para o trabalho de Ekaterina Panikanova. Utilizando livros, cadernos e retratos de diferentes épocas para formar um grid, a russa compõe uma tela gigante com superfícies irregulares, que conversam entre si.

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Ordenados em grupos, os livros lembram pedaços de quebra-cabeça que parecem ser intercambiáveis, ao mesmo tempo em que são extremamente dependentes um do outro. Essa é uma analogia interessante com as nossas experiências e memórias que, embora pessoais, acabam por formar o espírito do tempo, quando consideradas no coletivo. O resultado? Uma série tridimensional espetacular, que foge da pintura tradicional e chega a flertar com as instalações artísticas.

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Os desenhos de Panikanova com certeza não teriam o mesmo impacto se ela não trabalhasse com livros usados, que carregam uma memória própria em cada página (imagina fazer uma tela assim com livros de um sebo? Morri!) Ao olhar para o trabalho final, percebemos que o todo acaba sendo menos importante do que as partes – uma vez que cada uma delas tem uma história diferente para contar. Sou suspeita para falar porque amo arte E literatura, então simplesmente caí de amores por essa quase-instalação.

Via Designer-Daily

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A arte de começar um livro, e o que isso tem a ver com uma tia faladeira

Sabe o que eu mais amo sobre os livros? É que, logo que a gente começa a ler, eles parecem uma tia velha puxando papo. É basicamente Informação demais e o desenrolar de um interminável novelo de detalhes sobre os quais você não tem o mínimo interesse. A tia pode continuar falando por razoavelmente pouco ou muito tempo – depende do estilo de cada autor, mas se você for um pouco paciente logo chega naquele plot twist mágico.

Um instante difícil de ser representado, um curto espaço de tempo em que o aparentemente insignificante te suga por inteiro para dentro, sem mais nem menos. E, sem saber definir exatamente o porquê, de uma hora para a outra você se pega sentindo o sangue ferver, como se estivesse na pele dos personagens. Fecha os olhos e sente a raiva transbordar, morre de curiosidade, enfim, dá vida aos nomes ali escritos. Quando isso acontece, eu sei que fui fisgada. Dali até terminar o livro, dou no máximo dois dias. E cara, terminar um livro nesse clima é como devorar um prato de lasanha depois de passar um dia sem comer. É delicioso, mas por mais que a gente tente, nunca se sente satisfeito.

Para manter a tradição, aí vai a citação que antecede o último livro que eu estava lendo – Gone Girl.

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Aliás, recomendo muito: ele começa com a tia velha, mas umas 100 páginas depois garanto que já melhora 🙂

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Homem encontra mulher: a guerra dos sexos em versão minimalista

A designer chinesa Yang Liu – que já havia feito trabalhos explorando a estética minimalista em infográficos de bonequinhos de palito (ou pictogramas, se querem soar acadêmicos)  – lançou o livro Man Meets Woman, ou Homem encontra Mulher, em tradução livre. De forma simples, o livro compara as diferenças entre homens e mulheres explorando os pictogramas e o design gráfico. Digamos que é uma versão ilustrada de Homens são de Marte, e as Mulheres são de Vênus. Bem divertido.

As comparações são extremamente engraçadas porque são verdadeiras, um pouquinho ofensivas também por serem verdadeiras, mas acima de tudo trágicas porque,  como todo esterótipo, são generalistas e sufocantes – e ainda assim fazem parte do imaginário coletivo. Basta ver que, salvo poucas alterações, tudo o que está escrito nesse livrinho poderia constar em uma tirinha de jornal dos anos 70. Tenso.

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O livro só podia ser da Taschen e, embora não esteja disponível no Brasil, custa apenas 11 dólares na Amazon (lembrando que livros não são taxados pela Receita Federal). Dá uma olhadinha lá no site.

Esse post veio do Brain Pickings.

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Direto da minha estante – Um dia

Tenho uma amiga com quem sempre troco livros, e quando ela me emprestou “Um dia”, achei que fosse apenas mais uma comédia romântica “Guy-meets-girl”. Sabe como é, casal se apaixona, algum plot point os separa na metade da história até que fiquem juntos no final. Não é o tipo de literatura da qual eu me gabaria em uma mesa de intelectuais, mas nem por isso deixo de gostar.

A narrativa é, sim, bem previsível em sua maior parte, mas apesar disso guarda umas boas surpresas no final. A protagonista, Emma Morley, cita clássicos da literatura inglesa praticamente o tempo todo, o que me fez gostar dela de cara. E como a proposta do livro é acompanhar a amizade mal resolvida do quase casal Emma e Dexter, cada capítulo narra como está a vida deles no aniversário do dia em que se conheceram. A primeira parte começa com uma citação do Dickens (Grandes Esperanças – AMO!).

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Recomendo o livro, e quem se interessar pode encontrar ele aqui. Por último, também vale pensar um pouquinho sobre a citação aí de cima – reflexões como essa sempre me dão um certo assombro ao ver o quanto não temos controle de nada na vida.

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