A arte de começar um livro, e o que isso tem a ver com uma tia faladeira

Sabe o que eu mais amo sobre os livros? É que, logo que a gente começa a ler, eles parecem uma tia velha puxando papo. É basicamente Informação demais e o desenrolar de um interminável novelo de detalhes sobre os quais você não tem o mínimo interesse. A tia pode continuar falando por razoavelmente pouco ou muito tempo – depende do estilo de cada autor, mas se você for um pouco paciente logo chega naquele plot twist mágico.

Um instante difícil de ser representado, um curto espaço de tempo em que o aparentemente insignificante te suga por inteiro para dentro, sem mais nem menos. E, sem saber definir exatamente o porquê, de uma hora para a outra você se pega sentindo o sangue ferver, como se estivesse na pele dos personagens. Fecha os olhos e sente a raiva transbordar, morre de curiosidade, enfim, dá vida aos nomes ali escritos. Quando isso acontece, eu sei que fui fisgada. Dali até terminar o livro, dou no máximo dois dias. E cara, terminar um livro nesse clima é como devorar um prato de lasanha depois de passar um dia sem comer. É delicioso, mas por mais que a gente tente, nunca se sente satisfeito.

Para manter a tradição, aí vai a citação que antecede o último livro que eu estava lendo – Gone Girl.

gone girl

Aliás, recomendo muito: ele começa com a tia velha, mas umas 100 páginas depois garanto que já melhora 🙂

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Pena Inspirada

Sonharás uns amores de romance, quase impossíveis. Digo-lhe que faz mal, que é melhor contentar-se com a realidade; se ela não é brilhante como os sonhos, tem pelo menos a vantagem de existir.

Machado de Assis

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