Nessa loja você compra roupas para os desabrigados, não para si mesmo

Quando um mendigo parou as designers Scarlett Montanaro e Charlotte Cramer para pedir esmolas nas ruas de Berlim, elas fizeram o que os habitantes de grandes cidades estão acostumados a fazer: negaram, e seguiram adiante. Mas não conseguiram para de pensar na escolha que estavam fazendo.

“Tivemos uma empatia muito grande pela situação na qual ele estava, e nos sentimos culpadas por não fazer nada”, afirma Cramer. Pior do que isso, elas pereceberam que não estavam agindo em nenhuma das frentes ajudá-lo: não davam esmolas, nem faziam doações para organizações dedicadas a auxiliar os sem-teto. O problema, elas perceberam, estava nos dois casos – não dava para saber como as doações seriam utilizadas. A resposta? As meninas fundaram um negócio social que permite que as pessoas ajudem de forma bem objetiva: se você compra uma jaqueta impermeável ou um par de luvas na loja  Crack + Cider, o item é doado para uma pessoa carente.

“Decidimos que gostaríamos de criar um modelo simples e transparente para a caridade”, afirma Cramer.

O nome tem uma origem interessante: um dos mendigos contou para as sócias que as pessoas não lhe davam dinheiro pois imaginavam que ele gastaria tudo em craque ou cidra (em inglês, crack and cider).

 As tags da loja são muito bem feitinhas

 

 
Em 2015, a startup lançou uma loja online e também uma pop-up store em Londres, vendendo suprimentos básicos para dias frios e estabelecendo parcerias com abrigos locais para distribuir os produtos. Recentemente, as meninas lançaram uma segunda pop-up em San Francisco, em um bairro que concentra uma grande quantidade de moradores sem-teto.

O modelo das lojas pop-up foi escolhido por dar mais credibilidade ao projeto para os doadores, uma vez que eles podem entrar, conversar com as donas e tocar nos itens. Assim, os clientes verificam a qualidade por conta própria – um benefício que a internet não oferece.

 

 
A loja online explica que cada preço é construído com base em uma margem que cubra o custo da venda,  e cujos lucros são utilizados unicamente para comprar mais estoque e investir em sinalização, flyers e outras pequenas formas de comunicação. As fundadoras tem empregos “oficiais”, portanto não retiram nenhuma renda do projeto.

O plano é criar um kit open-source para qualquer pessoa que esteja interessada em trazer a loja para a sua cidade. As meninas contam que já foram contactadas por uma pessoa de Nova Iorque interessada no modelo. Cramer afirma que o objetivo é inspirar pessoas que possuem oportunidade e privilégios a fazer algo, por menor que seja. “Não é preciso muito dinheiro ou investimento, apenas algumas horas e bastante dedicação”, afirma a fundadora.

Via FastCo

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